O cancro do esófago é um dos tipos de cancro do sistema digestivo. As células epiteliais do esófago são as responsáveis pela constituição do tecido da mucosa do esófago. No seu estado normal, estas células crescem e dividem-se em novas células, que são formadas à medida que vão sendo necessárias, este processo chama-se regeneração celular.


Câncer do Esógafo, o que é?

O cancro do esófago é um dos tipos de cancro do sistema digestivo. As células epiteliais do esófago são as responsáveis pela constituição do tecido da mucosa do esófago. No seu estado normal, estas células crescem e dividem-se em novas células, que são formadas à medida que vão sendo necessárias, este processo chama-se regeneração celular. Quando as células perdem o mecanismo de controlo e sofrem alterações no seu genoma (DNA), tornam-se células de cancro, que não morrem quando envelhecem ou se danificam, e produzem novas células que não são necessárias de forma descontrolada, resultando na formação de um cancro. Ao contrário das células normais, as células de cancro do esófago não respeitam as fronteiras do órgão, invadindo os tecidos circundantes e podem espalhar-se para outras partes do organismo. A este processo dá-se o nome de metastização.

Subtipos de cancro do esófago

Existem dois tipos de cancro do esófago que representam 98% de todos os casos, ambos diagnosticados e tratados da mesma maneira:

Carcinoma pavimentoso, pavimento-celular, epidermóide, espinocelular ou escamoso em que as células têm origem no epitélio estratificado, esta doença é mais frequente nas partes anatómicas cervical e torácica;

Adenocarcinoma, que é um cancro do esófago que tem origem nas células do epitélio de uma camada glandular da parte abdominal do esófago, junto ao estômago. Contudo, a epidemiologia é distinta. Nos últimos 30 anos assistiu-se a uma alteração no tipo histológico dominante entre o carcinoma escamoso e o adenocarcinoma, actualmente mais frequente. A incidência de cancro do esófago aumenta com a idade, sendo que em média, o adenocarcinoma atinge preferencialmente a faixa etária dos 50 aos 60 anos, em média 10 anos mais cedo do que o carcinoma escamoso.

No mundo ocidental, a incidência por sexo é também distinto entre os dois tipos de cancro do esófago, sendo que o carcinoma escamoso é 3 a 4 vezes mais frequente no sexo masculino enquanto o adenocarcinoma a incidência é ainda mais destacada, sendo cerca de 6 a 8 vezes mais frequente nos homens.

Diagnóstico

Num doente com suspeita de cancro do esófago podem ser pedidos exames para diagnosticar a doença.
Num doente com história clínica suspeita de cancro do esófago deve ser feita uma endoscopia digestiva alta. Este procedimento consiste na introdução de um tubo iluminado – endoscópio - pela boca ou nariz do doente
com recurso a anestesia local.
No caso de o médico encontrar uma lesão suspeita, fará simultaneamente uma biopsia, ou seja, uma colheita de tecido para análise posterior.
Só a observação das células suspeitas ao microscópio pela Anatomia Patológica pode confirmar o diagnóstico de cancro do esófago.

O estadiamento

é o processo pelo qual nos certificamos se as células do cancro se espalharam do esófago para outras estruturas próximas ou mais distantes. A informação obtida pelo processo de estadiamento determina o estadio da doença, fundamental para o tratamento poder ser planeado.
Ao confirmar-se o diagnóstico de cancro do esófago, o passo seguinte consiste em proceder ao seu estadiamento.
O cancro do esófago pela natureza da localização do órgão na cavidade torácica próximo de várias estruturas nobres, como a traqueia os brônquios o coração e os grandes vasos, requer um processo de estadiamento complexo, sendo os exames a realizar:

• Broncoscopia - Este procedimento consiste na introdução dum tudo com uma câmara pela traqueia e brônquios, semelhante a uma endoscopia digestiva alta. Poderão ser necessárias biopsias de lesões suspeitas, possível introduzindo uma agulha pelo boncroscopio;

• Tomografia Axial Computorizada e/ou Ressonância Magnética;

• Ecoendoscopia - este exame consiste na introdução pela garganta de um tubo - endoscópio - com uma sonda de ecografia na sua extremidade, que permitem avaliar a extensão do tumor na parede do esófago emitindo ultrasons; em caso de suspeita de lesão, o médico poderá recolher tecido para análise, introduzindo uma agulha no endoscópio;

• PET scan - é um exame em que se injetam moléculas de açúcar na corrente sanguínea e através de um equipamento deteta-se a presença de cancro e metástases; como as células de cancro são ávidas de açúcar, absorvem essas moléculas com maior frequência do que as células normais, permitindo identificar a sua localização através desta técnica;

• Toracoscopia ou laparoscopia são procedimentos cirúrgicos com anestesia geral em que cânulas com câmaras – laparoscópio - são inseridas dentro das cavidades por pequenos cortes, permitindo observar os órgãos para identificar a presença de cancro; o médico poderá recolher tecido para análise posterior;

• Cintigrafia óssea – para identificar a presença de metástases nos ossos.

Muitas vezes o estadiamento da doença só fica completo após a cirurgia de tratamento, pela análise ao microscópio pela Anatomia Patológica, do esófago, gânglios e outros tecidos colhidos na cirurgia.

Com base nos exames de diagnóstico efetuados, o estadiamento do cancro do esófago pode ser classificado da seguinte forma:

Estadio 0 – O cancro é in situ, ou seja, está confinado ao seu sítio, encontrando-se apenas no epitélio do esófago;
Estadio I – Neste estadio o cancro chegou até à submucosa;
Estadio II – Neste estadio o cancro chegou até à submucosa e invadiu 1 a 2 gânglios, ou o cancro invadiu a camada muscular e pode ter invadido gânglios linfáticos, ou ainda invadiu a camada serosa do esófago;
Estadio III – O cancro do esófago pode ter invadido 3 ou mais gânglios, afetando a camada serosa ou órgãos vizinhos como a aorta, a traqueia ou a coluna;
Estadio IV - O cancro espalhou-se para orgãos à distância, como por exemplo o fígado.